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Opinião

Só planejar não garante o sucesso. Mas ajuda

Planejar é um exercício de previsibilidade. Não é feito para dar certo, mas para testar
todas as hipóteses.

Edgard Rodrigues Bello *

Publicada em 13 de maio de 2011 às 20h22

Muitas pessoas ainda percebem o planejamento como algo utópico e não factível, tendo aprendido, com as gerações anteriores, o exercício da tomada de decisão com base nos acontecimentos do dia a dia. Sem falar na mistura das emoções.

Essa crença leva a acreditar que, se assim foi com as últimas gerações e deu certo, então é assim que deve ser. Porém, naquela época, a informação tinha um tempo muito longo para percorrer e se disseminar, além do que, não havia as facilidades tecnológicas e ferramentas adequadas para lidar com o assunto. Hoje, a informação é extremamente veloz e se não agirmos em tempo e de forma acertada, levaremos nosso negócio à ruína e ainda culpando a economia, o governo, a política ... os outros.

Com o apoio da tecnologia [e uma pitada de organização e processos adequados], dispomos de informação histórica e facilidades para simular as possibilidades futuras. De forma a permitir projeção no médio e longo prazos, com análise dos fatos e antevendo possíveis situações de risco para a tomada de decisão planejada em tempo hábil.

A questão toda é que, muitas vezes, por uma falsa sensação de economia, não utilizamos a tecnologia ajustada para um propósito específico, colocando em risco toda a operação, com base no sentimento de que se a informação “saiu” do sistema, ela está correta. Devemos considerar que o custo de uma decisão inadequada pode ser infinitamente maior do que a “economia” feita no uso da tecnologia.

Em um processamento, a qualidade da informação obtida é diretamente proporcional à qualidade do dado utilizado no processo. Ou seja, se não temos dados confiáveis para alimentar os sistemas, não teremos informações adequadas e confiáveis para a tomada de decisão. E mais: se a forma de tratamento dos dados não for conveniente e confiável, o resultado também não será favorável.

Hoje, temos à disposição opções tecnológicas que corretamente combinadas e equalizadas oferecem recursos altamente confiáveis a custo atraente. São sistemas de planejamento de negócios com as facilidades para a elaboração e o acompanhamento do budget e forecasting (orçamento de despesas, receitas e investimentos e suas revisões), que funcionam no conceito de cloud computing e não exigem investimento em hardware e software (com consequente custo de manutenção e atualização). Eles substituem as planilhas eletrônicas que, falsamente, sugerem ser um recurso barato, mas tem o seu preço compensado na tomada de decisão incorreta.

A tecnologia, portanto, é grande aliada na missão de garantir o cumprimento do planejamento traçado, nas mais variadas esferas. Certa vez, convidamos o pessoal da equipe brasileira do Rally Dakar para uma palestra aos nossos clientes. Muitos foram os exemplos de como um planejamento pode dar certo ou errado. Muito mais evidente ainda quando levou-se em conta a hipótese de entrar em uma competição como a deles sem qualquer planejamento. No primeiro pneu furado, a corrida estaria perdida. Com as empresas não é diferente. Qualquer alteração nos cenários previstos pode causar sérios danos aos negócios.

O dono das Casas Bahia chegou ao Brasil há 50 anos com a roupa do corpo e uma enorme vontade de vencer. Será que se ele agisse da mesma forma nos dias de hoje teria o mesmo sucesso? Naquela época, a “cadernetinha” era o livro caixa. O plano estava na cabeça. Hoje, a história é outra.

Edgard Rodrigues Bello é CEO da ODE Peopleware

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